domingo, 1 de fevereiro de 2009

"Eu, há séculos"

"Sentava-me no chão ouvindo a terra, os grilos que cantavam o silêncio cerzindo pedras e sombras, cerzindo as nuvens contra o telhado da casa e a voz da minha avó num dos quartos de cima, de modo que mal os grilos se calavam tudo estava certo, as coisas em harmonia umas com as outras, a minha respiração com elas e então fechei os olhos e por um momento sem tempo fui feliz."
António Lobo Antunes, Segundo Livro de Crónicas

"Quem me assassinou para que eu seja tão doce?"

"O dedo imenso e estúpido do professor primário a procurar-me entre as carteiras a pretexto dos afluentes da margem esquerda do Tejo ..."
" A minha tia ensinava-me solfejo, regulava o metrónomo e aquele dedo, imenso e estúpido também, para a direita e para a esquerda numa teimosia cardíaca."

António Lobo Antunes, Segundo Livro de Crónicas

domingo, 25 de janeiro de 2009

"Não entres por enquanto nessa noite escura"

" Tão poucas chaminés, tão poucos telhados então, e tantas árvores na serra, comovidas com o cheiro das giestas, árvores que à noite ladravam como cães, espreitando-te em cada porta, correndo no quintal, escondendo-se do que a lua consentia na grande paz da horta."
" A única forma de te ser fiel é costurar a vida, lentamente, pelo avesso da dor, inventar um peito onde possas deitar-te, cobrir com lenços grandes os espelhos a fim de que nada impeça o teu regresso."
António Lobo Antunes. Segundo Livro de Crónicas

"Boa noite a todos"

"Quando o comboio partir não digas adeus porque ficaste no cais. Foi apenas o teu passado que se foi embora, na terceira ou quarta carruagem de segunda classe, precisamente a que acaba de desaparecer no túnel. Foi apenas o teu passado que se foi embora: o teu presente ficou."

"O teu presente, isto é: ir ao bar da estação, sem ter tirado o lenço da algibeira, sem saudades, sem remorsos, sem pena, e olhar pelo vidro da porta o cais vazio, com o relógio a marcar uma hora que já não é a tua."
António Lobo Antunes, Segundo Livro de Crónicas

Outras fantasias


Fantasias rurais


sábado, 3 de janeiro de 2009

Proposta de Moda



Cores quentes
Tecidos auto-aderentes

domingo, 28 de dezembro de 2008

Fim de Ano

Noite fria
noite quente
invernia
calor de gente
que sente
no coração
o passado
de omissão
o passado
de realização
mas que continua
a alimentar
no presente
o sonho
a fantasia da lua
e do seu brilhar
risonho
querer de gente
força imanente
construtora do futuro
sempre duro
que se quer alcançar
apesar da tormenta
de cor pardacenta
no rio da vida
gente atrevida
que ousa apostar
na poesia
na magia
força da vida
vida a renovar.

JRocha


Fantasias fotográficas




sábado, 27 de dezembro de 2008

Braga by Night




A noite
a saída
os copos
os arrotos

A noite
a dormida
os corpos
os "rotos"

domingo, 21 de dezembro de 2008

Urbanidade e o Natal





Cheiros ... sabores ... e ... tocadores
Senhoras ... e ... senhores

sábado, 20 de dezembro de 2008

Ruralidade e o Natal








As cores...
os odores ...
os sabores ,,,

os amores ...