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domingo, 7 de março de 2010

Dia Internacional da Mulher

Clara Zetkin (1857-1933)
Mulher que, em 1910, na 1ª Conferência Internacional de Mulheres, realizada no âmbito da Internacional Socialista, realizada em Copenhaga, em 1910, propôs a instituição de um Dia Internacional da Mulher.
No dia 19 de Março do ano seguinte, o Dia internacional da Mulher foi celebrado a 19 de Março, por mais de um milhão de pessoas, na Áustria, Dinamarca, Alemanha e Suíca.
As comemorações, no Ocidente, ocorreram nas décadas de 1910 e 1920 e só foram revitalizadas com o Movimento feminista da década de 1960.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

A erva dos namorados - o manjerico

São João fora bom santo
se não fora tão gaiato
levava as moças para a fonte
iam três e vinham quatro.
Cancioneiro Português

sábado, 7 de fevereiro de 2009

"Retrato do artista quando jovem - II"

"Vinha eu de eléctrico para Benfica, depois de mais uma educativa tarde no Liceu Camões, espécie e campo de concentração aterrorizador e inútil, quando, por alturas de Calhariz, uma evidência surpreendente me cegou: vou ser escritor."
António Lobo Antunes, Segundo Livro de Crónicas

A gripe no Masculino

HOMENS QUE ESTÃO COM GRIPE

Os homens são mesmo assim!
Pachos na testa, terço na mão,
Uma botija, chá de limão,
Zaragatoas, vinho com mel,
Três aspirinas, creme na pele
Grito de medo, chamo a mulher.
Ai Lurdes que vou morrer.
Mede-me a febre, olha-me a goela,
Cala os miúdos, fecha a janela,
Não quero canja, nem a salada,
Ai Lurdes, Lurdes, não vales nada.
Se tu sonhasses como me sinto,
Já vejo a morte nunca te minto,
Já vejo o inferno, chamas, diabos,
Anjos estranhos, cornos e rabos,
Vejo demónios nas suas danças
Tigres sem listras, bodes sem tranças
Choros de coruja, risos de grilo.
Ai Lurdes, Lurdes fica comigo
Não é o pingo de uma torneira,
Põe-me a Santinha à cabeceira,
Compõe-me a colcha, Fala ao prior,
Pousa o Jesus no cobertor.
Chama o Doutor, passa a chamada,
Ai Lurdes, Lurdes nem dás por nada.
Faz-me tisana e pão de ló,
Não te levantes que fico só,
Aqui sózinho a apodrecer,
Ai Lurdes, Lurdes que vou morrer.


António Lobo Antunes

domingo, 1 de fevereiro de 2009

"Eu, há séculos"

"Sentava-me no chão ouvindo a terra, os grilos que cantavam o silêncio cerzindo pedras e sombras, cerzindo as nuvens contra o telhado da casa e a voz da minha avó num dos quartos de cima, de modo que mal os grilos se calavam tudo estava certo, as coisas em harmonia umas com as outras, a minha respiração com elas e então fechei os olhos e por um momento sem tempo fui feliz."
António Lobo Antunes, Segundo Livro de Crónicas

"Quem me assassinou para que eu seja tão doce?"

"O dedo imenso e estúpido do professor primário a procurar-me entre as carteiras a pretexto dos afluentes da margem esquerda do Tejo ..."
" A minha tia ensinava-me solfejo, regulava o metrónomo e aquele dedo, imenso e estúpido também, para a direita e para a esquerda numa teimosia cardíaca."

António Lobo Antunes, Segundo Livro de Crónicas

domingo, 25 de janeiro de 2009

"Não entres por enquanto nessa noite escura"

" Tão poucas chaminés, tão poucos telhados então, e tantas árvores na serra, comovidas com o cheiro das giestas, árvores que à noite ladravam como cães, espreitando-te em cada porta, correndo no quintal, escondendo-se do que a lua consentia na grande paz da horta."
" A única forma de te ser fiel é costurar a vida, lentamente, pelo avesso da dor, inventar um peito onde possas deitar-te, cobrir com lenços grandes os espelhos a fim de que nada impeça o teu regresso."
António Lobo Antunes. Segundo Livro de Crónicas