domingo, 9 de dezembro de 2007
Mensagem de Natal
Se
uma acha ... mais uma acha
não fazem uma fogueira ...
Se
um pão ... mais outro pão
não fazem uma refeição ...
Se
umas calças ... mais um casaco
não garantem agasalho ...
Então
uma esmola ... mais uma esmola
ao outro não consola
Logo
a caridade é mistificação
Se
só num registo de igualdade
se preserva a dignidade
Se
só num registo de interdependência
se vivencia a independência
Se
só num registo de liberdade
se exercita a responsabilidade
Então
a solidariedade é a solução
Logo
o frio gélido típico da Natividade
supera-se com o calor da Humanidade
Mais do que a egoísta caridade
cultivemos a activa Solidariedade.
JRocha
uma acha ... mais uma acha
não fazem uma fogueira ...
Se
um pão ... mais outro pão
não fazem uma refeição ...
Se
umas calças ... mais um casaco
não garantem agasalho ...
Então
uma esmola ... mais uma esmola
ao outro não consola
Logo
a caridade é mistificação
Se
só num registo de igualdade
se preserva a dignidade
Se
só num registo de interdependência
se vivencia a independência
Se
só num registo de liberdade
se exercita a responsabilidade
Então
a solidariedade é a solução
Logo
o frio gélido típico da Natividade
supera-se com o calor da Humanidade
Mais do que a egoísta caridade
cultivemos a activa Solidariedade.
JRocha
Lá longe ... É perto
Lá longe ...nos limites que a vista alcança
e onde o monte beija o céu
está a nossa esperança
raio de luz em noite de breu
A crença, a fé determinada
é impulso para a acção
é como estrela iluminada
que nos indica a direcção
Por ela nos movemos
sabendo pr'a onde vamos
com ela realizamos
tudo aquilo que queremos.
... É perto.
JRocha
domingo, 2 de dezembro de 2007
Confissão
Prometi-me
a dignidade inquebrantável
de ser responsável e livre.
Com a transparência, a franqueza,
o respeito, a lisura
- condimentos da minha ética -
me comprometi
e, a minha autonomia construi.
Se com esta postura
muito pessoal, muito minha,
outros magoei,
outros perturbei,
paciência,
assumo;
em coerência,
fui o que sou.
Assim vou continuar a ser
para me não violentar
para manter este querer.
JRocha
a dignidade inquebrantável
de ser responsável e livre.
Com a transparência, a franqueza,
o respeito, a lisura
- condimentos da minha ética -
me comprometi
e, a minha autonomia construi.
Se com esta postura
muito pessoal, muito minha,
outros magoei,
outros perturbei,
paciência,
assumo;
em coerência,
fui o que sou.
Assim vou continuar a ser
para me não violentar
para manter este querer.
JRocha
Desejo de Revelação
Ó mudas musasque pela vossa mudez
são fonte de inspiração
de inquietação
de perturbação
de insensatez
de ideias obtusas
materializai-vos
sob formas humanas
corporalizai-vos
plenas de sentimentos
humanizai-vos
em plena nudez
sem roupagens
sem adereços
sem preços
sem encobrimentos
despidas de manhas
artimanhas
subtil subtileza
em estado de pureza
Sobre estes caboucos
contruiremos a felicidade
por vós insinuada
de forma continuada
através de sonhos loucos
bebedeiras de nebulosidade.
JRocha
Sentimentos
Sento-me
e sinto-me
inspirado
perturbado
ansioso
e nervoso
perante o aparelho ligado.
Escrevo maquinalmente
premindo teclas em desvario
atravessa-me uma onda de calor
seguida de outra de frio
e num fernesim permanente
continuo a teclar compulsivamente.
O que faço
não sei.
O que sai
logo verei.
só sei
que não me maço.
Sou, não sou?
És, não és?
Sou eu ou tua energia em mim ?
e sinto-me
inspirado
perturbado
ansioso
e nervoso
perante o aparelho ligado.
Escrevo maquinalmente
premindo teclas em desvario
atravessa-me uma onda de calor
seguida de outra de frio
e num fernesim permanente
continuo a teclar compulsivamente.
O que faço
não sei.
O que sai
logo verei.
só sei
que não me maço.
Sou, não sou?
És, não és?
Sou eu ou tua energia em mim ?
JRocha
sábado, 24 de novembro de 2007
Teia
O peso do silêncio
Ouço o silênciocomo nunca o houvera ouvido
Pesa-me o silêncio
sensação que nunca houvera tido
O volume do silêncio
no máximo da altura
reforça o peso do silêncio
no ruído da amargura
Silêncio de voz
ausência de palavras
desencontro de nós
lavoura sem lavras
E o silêncio ruidoso
cada vez mais pesado
torna-se ruído penoso
deste fado não cantado.
JRocha
segunda-feira, 19 de novembro de 2007
Os fios ... e os laços ... e nós
elementos da mesma rede
que se alimenta da sede
de nós e dos laços
e em que os laços em nós
se convertem
e revertem
em mais nós em mais laços e em mais fios
Os fios ... os laços ... e nós.
JRocha
que se alimenta da sede
de nós e dos laços
e em que os laços em nós
se convertem
e revertem
em mais nós em mais laços e em mais fios
Os fios ... os laços ... e nós.
JRocha
Mais Cores deste Outono
Falsas uvas tintasde um serôdio fim de Verão
nem com o som agudo das requintas
passais além de fraca imitação
do fruto a que alguém já chamou pão.
Paleta (quase) monocromáticade mil matizes e tons de verde
atitude de altivez aristoctática
de quem aprumadamente se ergue
e nem à força dos ventos se vergue.
De écharpe descaída do ombrolá está ela, aprumada e elegante,
causando furor, ou mesmo assombro,
a todo o cavalheiro petulante
que a mire com olho galante.
domingo, 18 de novembro de 2007
Cores deste Outono
segunda-feira, 12 de novembro de 2007
Retrato de Viagem "à la minute"
Partir e chegarobjectivo primeiro
mas de permeio
há o estar
acompanhado
do leituras
acomodado
das rendas
atarefadas
boas prendas
mãos de fadas.
A conversa
vai-se fazendo
sem pressa
e o outro absorto
não está nessa.
As agulhas
automaticamente
mexendo
remexendo
e o diálogo
vai acontecendo
no decurso da viagem
à margem
de qualquer catálogo.
O leituras
ora direito
ora torto
lê compulsivamente
e a eito
pairando nas alturas
rindo disfarçadamente
como é seu jeito.
Chegada a Contumil
arrumar das letras
pontos? mais de mil
feitos e refeitos!
mais jeitos e trejeitos
e …caras ou caretas?
domingo, 11 de novembro de 2007
sábado, 10 de novembro de 2007
Sonhando com Estrelas
Foi um sonho que eu tive:Era uma grande estrela de papel,
Um cordel
E um menino de bibe.
O menino tinha lançado a estrela
Com ar de quem semeia uma ilusão;
E a estrela ia subindo, azul e amarela,
Presa pelo cordel à sua mão.
Mas tão alto subiu
Que deixou de ser estrela de papel.
E o menino, ao vê-la assim, sorriu
E cortou-lhe o cordel.
Miguel Torga
S. Martinho ... S. Martinho de Anta
S. Martinho ... S. Martinho de Anta (associação espontânea de ideias), terra-natal do Poeta que encanta porquanto fortaleza com singelas ameias que não defendem nem escondem a inquebrantável integridade, aliada à mais sublime simplicidade e, com a confissão assumida da sua própria fragilidade.Miguel Torga, nascido no ano de 1934, "filho primogénito" de Adolfo Correia da Rocha, que o gerou com a idade de 27 anos.
Confissão/Declaração: De alguma coisa me hão-de valer as cicatrizes de defensor incansável do amor, da verdade e da liberdade, a tríade bendita que justifica a passagem de qualquer homem por este mundo.
(Miguel Torga, Diário, Coimbra, 9 de Dezembro de 1993)
S. Martinho
S. Martinho: Castanhas e Vinho«O S. Martinho, como o dia de Todos os Santos, é também uma ocasião de magustos, o que parece relacioná-lo originariamente com o culto dos mortos (como as celebrações de Todos os Santos e Fiéis Defuntos). Mas ele é hoje sobretudo a festa do vinho, a data em que se inaugura o vinho novo, se atestam as pipas, celebrada em muitas partes com procissões de bêbados de licenciosidade autorizada, parodiando cortejos religiosos em versão báquica, que entram nas adegas, bebem e brincam livremente e são a glorificação das figuras destacadas da bebedice local constituída em burlescas irmandades. Por vezes uma dos homens, outra das mulheres, em alguns casos a celebração fracciona-se em dois dias: o de S. Martinho para os homens e o de Santa Bebiana para as mulheres (Beira Baixa). As pessoas dão aos festeiros. vinho e castanhas. O S. Martinho é também ocasião de matança de porco.»
(in As Festas. Passeio pelo calendário, Fundação Calouste Gulbenkian, 1987)
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