domingo, 31 de janeiro de 2010
sábado, 30 de janeiro de 2010
Abril em Abril

Abril de trevo e trégua e vinho de húmus
Abril de novos ritmos novos rumos.
Era um Abril comigo Abril contigo
ainda só ardor e sem ardil
Abril sem adjectivo Abril de Abril.
Era um Abril na praça Abril de massas
era um Abril na rua Abril a rodos
Abril de sol que nasce para todos.
Abril de vinho e sonho em nossas taças
era um Abril de clava Abril em acto
em mil novecentos e setenta e quatro.
Era um Abril viril Abril tão bravo
Abril de boca a abrir-se Abril palavra
esse Abril em que Abril se libertava.
Era um Abril de clava Abril de cravo
Abril de mão na mão e sem fantasmas
esse Abril em que Abril floriu nas armas.
Manuel Alegre
domingo, 24 de janeiro de 2010
As mãos

Com mãos tudo se faz e desfaz.
Com mãos se faz o poema - e são de terra
Com mãos se faz a guerra - e são a paz.
Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.
Não são de pedra estas casas mas
de mãos. E estão no fruto e na palavra
as mãos que são o canto e são as armas.
E cravam-se no tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que vão no vento: verdes harpas.
De mãos é cada flor cada cidade.
Ninguém pode vencer estas espadas
nas tuas mãos começa a liberdade.
Manuel Alegre
Pensamento
quebrou amarras
partiu no vento
deixou guitarras
meu pensamento
por onde passa
estátua de vento
em cada praça
...
Foi à conquista
de um novo mundo
foi vagabundo
contrabandista
foi marinheiro
maltês ganhão
foi prisioneiro
mas servo não
...
e os reis mandaram
fazer muralhas
tecer malhas
de negras leis
homens morreram
estátuas ao vento
por ti morreram
meu pensamento
Manuel Alegre
deixou guitarras
meu pensamento
por onde passa
estátua de vento
em cada praça
...
Foi à conquista
de um novo mundo
foi vagabundo
contrabandista
foi marinheiro
maltês ganhão
foi prisioneiro
mas servo não
...
e os reis mandaram
fazer muralhas
tecer malhas
de negras leis
homens morreram
estátuas ao vento
por ti morreram
meu pensamento
Manuel Alegre
domingo, 17 de janeiro de 2010
Letra para um hino

É possível falar sem um nó na garganta
é possível amar sem que venham proibir
é possível correr sem que seja fugir.
Se tens vontade de cantar não tenhas medo: canta.
É possível andar sem olhar para o chão
é possível viver sem que seja de rastos.
Os teus olhos nasceram para olhar os astros
se te apetece dizer não grita comigo: não.
É possível viver de outro modo. É
possível transformares em arma a tua mão.
É possível o amor. É possível o pão.
É possível viver de pé.
Não te deixes murchar. Não deixes que te domem.
É possível viver sem fingir que se vive.
É possível ser homem.
É possível ser livre livre livre.
Manuel Alegre
Portugal
sábado, 16 de janeiro de 2010
A CULTURA à PRESIDÊNCIA
domingo, 10 de janeiro de 2010
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