
sábado, 28 de fevereiro de 2009
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
Cravo vermelho

teimosamente aprumado
(mesmo que amparado)
eu sei dum craveiro
sempre impertigado
firme e determinado
eu sei dum craveiro
pai de cravo vermelho
(só para rimar encarnado)
eu sei de um craveiro velho
pai de cravo sempre novo
simetricamente renovado
dum vermelho vivo
(não matizado)
eu sei dum velho craveiro
do seu filho orgulhoso
porque do puro vermelho
se sente honroso
eu sei desse craveiro...
JRocha
domingo, 22 de fevereiro de 2009
sábado, 14 de fevereiro de 2009
"Olhos cheios de infância"

António Lobo Antunes, Segundo Livro de Crónicas
sábado, 7 de fevereiro de 2009
"Retrato do artista quando jovem - II"
"Assobiar no escuro"

apetece-me fazer de cada página um barquinho de papel e deixá-lo navegar pelas sarjetas na esperança de que outra mão as receba como uma espécie de Índia onde cheguei por acaso, juntamente com o ecozinho de um assobio no escuro e um sobrolho apreensivo da mãe."
António Lobo Antunes, Segundo Livro de Crónicas
"Assobiar no escuro"

- O que vais fazer na vida
respondi invariavelmente
- Assobiar no escuro
o que me salva da política, da crítica literária e da ambição de poder, preferindo aos congros ávidos os serafins sem bússola e às forças da natureza as pequenas fraquezas onde o prazer se esconde."
António Lobo Antunes, Segundo Livro de Crónicas
"Assobiar no escuro"

António Lobo Antunes, Segundo Livro de Crónicas
"Isto"

António Lobo Antunes, Segundo Livro de Crónicas
A gripe no Masculino

Os homens são mesmo assim!
Pachos na testa, terço na mão,
Uma botija, chá de limão,
Zaragatoas, vinho com mel,
Três aspirinas, creme na pele
Grito de medo, chamo a mulher.
Ai Lurdes que vou morrer.
Mede-me a febre, olha-me a goela,
Cala os miúdos, fecha a janela,
Não quero canja, nem a salada,
Ai Lurdes, Lurdes, não vales nada.
Se tu sonhasses como me sinto,
Já vejo a morte nunca te minto,
Já vejo o inferno, chamas, diabos,
Anjos estranhos, cornos e rabos,
Vejo demónios nas suas danças
Tigres sem listras, bodes sem tranças
Choros de coruja, risos de grilo.
Ai Lurdes, Lurdes fica comigo
Não é o pingo de uma torneira,
Põe-me a Santinha à cabeceira,
Compõe-me a colcha, Fala ao prior,
Pousa o Jesus no cobertor.
Chama o Doutor, passa a chamada,
Ai Lurdes, Lurdes nem dás por nada.
Faz-me tisana e pão de ló,
Não te levantes que fico só,
Aqui sózinho a apodrecer,
Ai Lurdes, Lurdes que vou morrer.
António Lobo Antunes
domingo, 1 de fevereiro de 2009
"Eu, há séculos"

António Lobo Antunes, Segundo Livro de Crónicas
"Quem me assassinou para que eu seja tão doce?"


António Lobo Antunes, Segundo Livro de Crónicas
Assinar:
Postagens (Atom)